Perfil_Fernanda Pacini

Prazer em fotografar

Para Fernanda Pacini, fotografar é sinônimo de brincar – a atividade traz prazer e oportunidade de experimentar. O ofício surge sem foco em mostras ou exposições, vem da coleta cotidiana de paisagens. Um fazer por gostar. Nascida em Brasília, Pacini foi levada pela família desde pequena à exposições de fotografia e se interessou pela escrita da luz. Em 1998, chegou a admirar a obra do fotógrafo Felizardo, de Porto Seguro, mas só se dedicaria definitivamente à arte um ano depois.

Sou de Brasília e acabei saindo daqui por oito anos para estudar, agora, que voltei, posso retribuir aplicando o conhecimento adquirido”

Na exposição Janelas, fotógrafa revela molduras no ambiente

 Embora tenha crescido em convívio com a fotografia, Fernanda conta ter se apaixonado pela captura da lente após curso em Riverton, nos Estados Unidos, em 1999. Na época, já era formada em direção teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A fotógrafa expôs seu trabalho em solo americano em 2000 e foi premiada pelas fotografias Sépia e Hands ( mãos, em inglês). Voltou para o Brasil no mesmo ano, quando participou de oficinas, sem expor.

Viagens – pelo interior do Brasil e por países como Grécia, Itália e França – entre 1999 e 2007 somaram material para exposição Janelas da fotógrafa em uma faculdade do Distrito Federal em outubro do ano passado, em sua primeira mostra individual. A artista explorou vários recortes dentro de um quadro, ao usar dois ou mais planos para encontrar uma moldura no próprio ambiente. “Trabalhei com a vocação do olhar como janela”, explica. Para ela, é mais fácil registrar a natureza, pois está mais acostumada ao tempo para observar e à luz própria para fotos de paisagens. “Gostaria de ser mais profissional, pretendo investir mais agora”, adianta ao admitir que evita retratar pessoas.

Em contrapartida, as obras de Fernanda superam a fotografia. Nunca deixou de dirigir peças teatrais, seguindo sua primeira formação. A última delas, em 2007, surgiu de uma adaptação da obra As Moscas de Sartre. Na peça, o escritor francês usa a tragédia grega para representar a situação vivida pela França no momento. Para a montagem, Pacini aproveitou estudo seu sobre a influência de rituais religiosos no teatro grego, atualizando a encenação a partir de ritos de religiões brasileiras.

Cais grego, retratado na mostra, permite enxergar mar por fenda

Rocha em cais grego permite enxergar porto distante

 

Trabalho Retomado

Em fevereiro, a artista soube da aprovação para financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) , fornecido pela Secretaria de Cultura. O projeto pretende retomar a peça As Moscas até o fim de março, para apresentações na rua de pelo menos três cidades do DF – Brasília e duas a definir. Pacini, novamente dirigindo o texto de Sartre, adianta que todos os 17 atores serão da cidade e selecionados em oficinas. “Sou de Brasília e acabei saindo daqui por oito anos para estudar, agora, que voltei, posso retribuir aplicando o conhecimento adquirido”, ressaltou.

No teatro grego havia relação com o público impossível de ser reproduzida, mas queremos alcançar um diálogo tão intenso quanto”

A proposta do teatro na rua, com cenário e iluminação adaptados ao local de apresentação, responde com gratuidade e acessibilidade aos altos preços dos ingressos e às dificuldades de transporte da maioria da população, segundo a mentora da montagem. Assim, a peça atual se aproxima das apresentações originais, na Grécia, antiga também abertas à cidade. “No teatro grego havia uma forte relação com o público, impossível de ser reproduzida, mas com a nova montagem pretendemos alcançar um diálogo tão intenso como o da antiguidade”, explicou.

Primeira montagem da peça As Moscas, baseada em obra de Sartre

Primeira montagem da peça As Moscas, baseada em obra de Sartre

 

Novo Projeto

Pacini se dedica ainda à produção da 1ª Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri), que homenageia o escritor Ignácio Loyola Brandão. A cidade goiana recebe várias atividades de incentivo à literatura nos dias 12,13 e 14 de fevereiro.Segundo ela, o evento pretende “fomentar a leitura com atividades além dos livros”. Estão previstas peças teatrais, shows musicais e exposições. As atrações incluem apresentações teatrais de alunos da faculdade Dulcina de Moraes e também há espaço reservado para a cultura local da cidade, que será representada pela capoeira e catira.

Segundo a produtora, além do apoio à leitura, a festa busca resgatar a cultura popular, com oficinas como a de João Bosco, sobre literatura de cordel. Parte das atividades do evento ainda está em negociação, mas a origem está na Festa Literária Internacional de Parati (Flip), que reúne anualmente autores renomados do país e do mundo. “Nosso grande objetivo é alcançar o mesmo tamanho”, conta Fernanda sobre a influência.

A Flipiri trará parcerias com a Casa de Autores, composta por escritores e ilustradores do Distrito Federal. Doze, dos 26 associados, participarão da feira. A maioria das obras é de literatura infanto-juvenil, isso permitiu acordo com prefeitura de Pirenópolis, que se comprometeu a usar livros dos convidados na rede de ensino local antes do evento, para familiarizar os alunos antes da festa patrocinada pelos Correios.

 

Isaías Monteiro

1 Response so far »

  1. 1

    Gabriella said,

    Vc esta de parabens!!
    Adoro vcs!!
    Beijos, Gabriella Castro


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