Falta de verba ameaça projeto cão-guia

Deficientes visuais
podem ficar sem o
único centro para
treinamento do país

Labradores passam por diversas etapas em 18 meses de preparo que incluem aprender a guiar em ruas

Labradores passam por diversas etapas durante 18 meses de preparo que incluem aprender a guiar em ruas

Único no Brasil, o Projeto Cão Guia do Distrito Federal pode acabar por falta de dinheiro. Em parceria com o Corpo de Bombeiros, a ONG Integra (Instituto de Integração Social e Promoção da Cidadania) treina labradores capazes de conduzir cegos. Ao todo, se gasta pelo menos R$ 25 mil durante os 18 meses de treinamento do cão guia. Há cinco cães prontos para a tarefa, mas ainda sem donos, pois os cursos estão comprometidos. Para se inscrever, o deficiente visual deve ligar no 34427908.

Todo o trabalho é voluntário, exceto o prestado pelos técnicos militares. No entanto, o projeto está em risco. Há despesas com a alimentação, exames e medicação dos cães, além do transporte e da manutenção da maternidade para os animais, consultório e alojamento.

Dois meses após nascerem, os filhotes passam por um teste para descobrir o perfil psicológico que possuem. De acordo com a conduta, o cachorro é encaminhado a uma família voluntária com convívio que o ajude a equilibrar seu comportamento. Se o animal é agitado, é enviado a uma casa calma para se adaptar, por exemplo.

Nessa primeira saída, o cão passa dez meses com a família selecionada por uma equipe composta por assistente social, psicólogo e treinador. Os voluntários levam o animal para conhecer locais onde os futuros donos possivelmente passarão. Passado o prazo, o animal retorna ao alojamento da ONG para se avaliado e começar o treinamento de cão guia, que dura de 8 a 10 meses. A partir daí é possível o encaminhamento aos deficientes visuais.

Novamente, o perfil psicológico do cão é determinante, pois ele é encaminhado a um cego compatível. Antes de conviver com o labrador, o cego passar por um período para se adaptar às instalações do alojamento e aprender a se locomover no local. Na segunda semana, a dupla formada recebe acompanhamento e treinamento, para que o futuro dono aprenda a comandar o cachorro em um curso de 12 a 15 dias.

A coordenadora do projeto, Michele Pöttker, pede por mais recurso, devido às dificuldades para continuar com a iniciativa. “Faço um apelo ao governador. É um projeto pioneiro e põe o DF à frente do resto país na inclusão de deficientes. Só precisamos de um apoio financeiro, nada impede que isso aconteça”, disse. Segundo ela, as condições atuais só permitem que o atenda dois cegos até ao fim deste mês, e outro dois em dezembro.

De acordo com Michele, a solução seria uma mudança no repasse de recurso, limitados a emendas válidas por um três a seis meses. “A melhor saída seria um convênio, porque as emendas são limitadas e os gastos previstos que nem sempre atendem às necessidades cotidianas. Sem verba fica quase impossível continuar”, concluiu.

Um dos atendidos é Luciano Ambrosio, de 39 anos. Para ele, o projeto garante mais independência aos deficientes visuais. Nascido com uma doença degenerativa que gradualmente levou sua visão, Luciano usa uma bengala para se guiar desde os 23 e espera poder dispensar o instrumento depois do curso, iniciado nesta semana. “A expectativa é de um grande ganho de autonomia, porque melhora a mobilidade. Podemos confiar nos cães, que serão nossos companheiros”, relatou.

Isaías Monteiro


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