Bancos privados cedem menos crédito

Total destinado à
habitação caiu 26%
entre novembro e
setembro de 2008

Conseguir crédito para comprar a casa própria em bancos privados ficou mais difícil no ano passado. Embora o número de financiamentos públicos tenha crescido durante 2008, superando R$1,2 bilhão concedido até novembro, o setor privado diminuiu os empréstimos destinados à compra de imóveis, segundo balanço do Banco Central. Entre novembro e setembro, o crédito imobiliário caiu 26,5% – de R$ 207 milhões para R$152 mi. Na comparação com o ano anterior, a queda é de 13,2%.

Para o BC, o resultado significa que, com dinheiro em mãos, os bancos optaram por outros setores, mas espera pouca influência para a população de baixa e média renda – que se enquadram mais facilmente nos financiamentos do governo.

Representante do Sindicato da Habitação (Secovi-DF), Ovídio Maia aponta a expansão do setor público como um dos fatores para a queda. “Os bancos privados não tem acompanhado a Caixa, que já fornece mais de 80% dos financiamentos e segue diminuindo os juros”, disse. Segundo ele, a maioria dos clientes prefere buscar o setor público devido às condições mais atraentes. “O grande beneficiado dessa disputa por menores taxas é o cliente. Ao setor privado resta se adaptar, pois caso a Caixa continue com a mesma agressividade a redução será ainda maior”, concluiu.

Também até novembro, a Caixa Econômica Federal havia disponibilizado R$ 700 milhões em crédito para a população do Distrito Federal, atendendo 8 mil famílias. “Os bancos privados poderiam ser mais flexíveis e ágeis, porque os financiamentos ainda são demorados. O Distrito Federal, por exemplo, é um mercado seguro por causa do número de servidores públicos que escolhem seus investimentos com critério”, avaliou.

De acordo com o  economista Flávio Rabelo, é necessário considerar a influência da crise financeira internacional. “Pode ser um efeito da crise, que se agravou nesse período, sinalizando que setor imobiliário foi afetado pela baixa geral. Os bancos se tornaram menos dispostos a conceder créditos num período de forte crescimento do setor de habitação, impulsionado pelos financiamentos”, explicou.

Segundo Rabelo, a diminuição dos financiamentos pode superar mudanças na condições para se adquirir a casa própria e atingir também o mercado de trabalho. “É uma situação preocupante, se essa tendência continuar deve afetar setores que empregam muitas pessoas, como a construção civil”, estima.

Isaías Monteiro

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