População reclama
de poucas vagas.
Situação preocupa
o Conselho Tutelar

Na cidade, cerca de 7 mil continuam sem creche. Conselheiros alertam para prejuízos às crianças.
Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente determine que “é dever do Estado atender crianças de zero a seis anos com creche e pré-escola”, a falta de vagas em Samambaia preocupa o Conselho Tutelar da cidade, que também atende o Recanto das Emas. Sem nenhuma creche pública na região, a população só pode recorrer a uma das doze conveniadas.
De acordo com o conselho, em todo o Distrito Federal há 11 creches públicas que atendem 636 crianças, enquanto outras 68 buscam vagas diariamente. A maioria delas não consegue e fila já passa de 7000 à espera de escola. Conselheiros afirmam que o pequeno número de creches prejudica mães no trabalho, pois devem ficar em casa para cuidar dos filhos ou deixá-los sozinhos.
Na opinião do presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares do DF, Antonio Roldino, a situação se deve a descaso do governo. “É uma falta geral, mas o caso do DF é mais agudo. O governo deixou a responsabilidade para o serviço social, porém nem só as famílias de baixa renda precisam de creches. A falta atinge a todos e existem riscos para todas as camadas da população”, afirmou.
Para ele, a falta de pré-escolas causa dois danos principais à comunidade. “Há prejuízo social, pois muitas crianças carentes deixam de ser atendidas, e compromete o direito fundamental que todos têm à educação. O que falta é vontade política”, concluiu. Segundo Roldino, outro problema está na falta de verbas, que já atrasaram.
Segundo Israel Vieira, do Conselho Tutelar de Samambaia, a importância das creches supera a educação. “Existe um enorme prejuízo para a criança e para o Estado. Já temos um quadro violento nas escolas e, se a situação seguir assim, o gasto com segurança será maior. Investir nas creches é investir em prevenção”, ressaltou. De acordo com o conselheiro, as crianças fora da pré-escola têm prejuízo no desenvolvimento, o que compromete aprendizado e convivência social.
Hoje, o pequeno Vinicius completa dois anos. Sua mãe, Conceição Amorim, de 31 anos, o inscreveu há seis meses para tentar conseguir uma matrícula. Ela aguarda até o dia próximo dia 15 uma resposta, mas diz não saber se terá sucesso. “Ainda são poucas creches. Se eu não conseguir a vaga, vou comprometer meu emprego. Para quem ganha pouco é difícil pagar alguém para cuidar dos filhos, porque se gasta muito”, relatou.
Isaías Monteiro